outubro 09, 2011

Pieter Bruegel, O Velho

O Triunfo da Morte
Pieter Bruegel - 1562 (Madri)



O Triunfo da Morte

Durante a Idade Média e início da Idade Moderna pragas, epidemias e guerras religiosas e políticas assolaram a Europa. Falou-se em "castigo divino", como se não houvesse possibilidade de salvação para a humanidade. Uma das formas em que esta visão apocalíptica do futuro proliferou-se foi A Dança da Morte: uma temática do imaginário popular medieval que gerou inúmeras manifestações populares, como a cerimônia realizada nos fundos da igreja (cemitério) no século XIV, que era acompanhada por sermões falando do caráter impiedoso da morte. Os principais personagens eram "a vítima" e "a morte" (representada por pessoas vestidas com uma roupa preta e justa, sobre a qual eram pintadas as linhas de um esqueleto, e usando uma máscara de caveira). Em todos os casos a morte triunfava ao final, ceifando a vida da vítima (ver Ciclo da Vida).

Na Florença do século XVI este ritual perdeu um pouco da ênfase moralizante, tornando-se uma cerimônia mais aberta e festiva. O Triunfo da Morte, de Bruegel, mostra que nos Países Baixos a influência da tradição medieval manteve-se forte mesmo no século XVI. Vemos aqui o exército da morte avançando sobre uma paisagem sóbria, exterminando tudo, deixando apenas destruição e desolação.




* Pouco antes de morrer, Bruegel pediu à esposa que queimasse vários de seus desenhos, porque achava que a natureza "inflamatória" dessas obras pudesse causar problemas se caíssem nas mãos de certas pessoas. O conteúdo delas é incerto, mas essa atitude sugere que elas tinham um tom fortemente político ou religioso. O verdadeiro motivo da destruição de seus desenhos permanece um mistério.

Um comentário:

Vinícius Rocha disse...

Uia! Eu não sabia desse evento da queima dos desenhos dele!
Deveria ser algo incendiário! rsrs
bjs