setembro 12, 2010

Pagu

"Pagu tem uns olhos moles
Uns olhos de fazer doer..."

Pagu - foi assim que o poeta modernista Raul Bopp apelidou Patrícia Galvão ao pensar que seu nome era Patrícia Goulart. Quem já viu a foto de Pagu há de concordar com Bopp - seu olhar caído, além dos lábios fortemente pintados, prendem nossa atenção. Mas não é esse o traço mais marcante dessa escritora.


Patrícia Rehder Galvão, nasceu em 1910 em São João da Boa Vista. De personalidade forte, sempre foi muito avançada para a época - fumava em público, falava palavrões e usava roupas transparentes, entre outros "horrores" para seu tempo. Com 18 anos já integrava o movimento antropofágico ao lado de Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral. Se tornou a musa do movimento e para escândalo da sociedade, se casou com Oswald em 1930, com quem teve um filho: Rudá. Se tornou militante comunista, foi a primeira mulher a ser presa no Brasil por motivos políticos. Num total de 23 prisões, Pagu viajou o mundo, foi torturada, se decepcionou com o comunismo rompendo com o partido e passou a defender um socialismo de linha trotskista. Se separou de Oswald, e do casamento com Geraldo Ferraz teve seu segundo filho. Em viagem à China, Pagu trouxe as primeiras sementes de soja que entraram no Brasil. Retomou o jornalismo e iniciou uma nova jornada entre as artes sendo reconhecida como grande incentivadora do teatro em Santos, cidade onde passou a viver. Em seu trabalho junto a grupos teatrais, revelou e traduziu grandes autores até então inéditos no Brasil como James Joyce, Eugène Ionesco, Arrabal e Octavio Paz. Crítica literária, escritora, jornalista, Pagu foi acometida de um cancer que a levou a tentar o suicídio em Paris. Morreu em 1962 no Brasil.

Em 2004 uma catadora de papel encontrou, em Santos, uma grande quantidade de fotos e documentos da escritora e do jornalista Geraldo Ferraz, seu último companheiro. Estes fazem parte hoje do arquivo da UNICAMP.

Para saber mais sobre Pagu clique aqui.








(fotos:ligiapin)

Um comentário:

Vinícius Rocha disse...

Desde criança ouço minha mãe falar nela!
Hoje estou algo melancólico!
bj