agosto 03, 2008

Rasif

Quentinho e saído do forno. Capa dura, ilustrações de Manu Maltez, bonita edição. Os novos contos de Marcelino no livro "Rasif, mar que arrebenta" tem apresentação de Santiago Nazarian e traz o estilo já tatuado desse pernambucano premiado que agrada, agride e encanta. Não é para todos os gostos. Só para quem tem o melhor deles.
;o)

Para Iemanjá
oferenda não é essa perna de sofá. essa marca de pneu. esse óleo, esse breu. peixes entulhados, assassinados. minha rainha. não são oferenda essas latas e caixas. esses restos de navio. baleias encalhadas. pingüins tupiniquins, mortos e afins. minha rainha. não fui eu quem lançou ao mar essas garrafas de coca. essas flores de bosta. não mijei na tua praia. juro que não fui eu. minha rainha. oferenda não são os crioulos da guiné. os negros de cuba. na luta, cruzando a nado. caçados e fisgados. náufragos. minha rainha. não são para o teu altar essas lanchas e iates. esses transatlânticos. submarinos de guerra. ilhas de ozônio. minha rainha. oferenda não é essa maré de merda. esse tempo doente. deriva e degelo. neste dia dois de fevereiro. peço perdão. minha rainha. se a minha esperança é um grão de sal. espuma de sabão. nenhuma terra à vista. neste oceano de medo. nada. minha rainha.

Um comentário:

Dionísio Goyáz disse...

Adorei! Inspirador!

E quando me mandas aquelas coisas do Marcelino que nao peguei por duas vezes no msn?

beijos